HomeEcologiaEconomia

Mineração usa 578 bilhões de litros de água e pode ameaçar agro

Mineração usa 578 bilhões de litros de água e pode ameaçar agro

China e Rússia têm interesse em ampliar laços comerciais com Mato Grosso
População ocupada no agro no 1º tri atinge nível mais alto desde 2016
Entidades do agro assinam protocolo de intenções com o governo para levar internet a todo MT

Por André Garcia

A mineração no Brasil consome 578 bilhões de litros de água anualmente sem prestar qualquer informação sobre as bacias hidrográficas de origem. O número considera o volume de água outorgada pela União e pelos estados e faz parte de estudo da ONG Fase (Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional) divulgado na última semana.

Somada à espoliação intensiva, o quadro também é alarmante do ponto de vista da contaminação das águas por metais pesados e outros poluentes. Isso significa ameaça à saúde e a segurança alimentar da população, além de risco ao desenvolvimento da principal atividade econômica do país: o agronegócio.

Isso porque a contaminação de rios e nascentes pelo uso do mercúrio, comum à atividade, pode matar lavouras e adoecer animais, como já mostrou o Gigante 163 aqui.

“Há um evidente processo de espoliação das águas brasileiras pelo setor mineral que só é percebido em escala regional ou nacional pelo caráter contaminador e destruidor do setor. Foi assim com o rompimento da barragem da Vale S.A, em Mariana-MG; da Vale S.A, em Brumadinho-MG; e da Hydro Alunorte, em Barcarena-PA”, diz trecho do estudo.

O quadro pode piorar com a adição de outros fatores como o desmatamento e a mudança no regime de chuvas, que já prejudica lavouras no Centro-Oeste. Especialistas apontam que um cenário de crise hídrica pode significar perdas de 26% para os produtores de soja e de até 32% na produtividade de pastagens até a metade do século.

Crédito: Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fases).

Além disso, em muitos casos o garimpo está associado ao desmatamento, à ilegalidade, a corrupção, a criminalidade e a intensa presença de milícias e facções do crime organizado, especialmente na região amazônica, o que também prejudica a agropecuária.

“Independente da comoção nacional em torno dos crimes provocados por grandes mineradoras, são os territórios que enfrentam histórica e cotidianamente os conflitos cada vez mais intensos provocados pelo setor” destaca o levantamento.

De acordo com os pesquisadores, o cenário de insegurança hídrica é intensificado pela carência de uma gestão pública que proteja o bem comum.

“O cenário de aumento de conflitos por água e de intensificação de situações de estresse hídrico que comprometem o uso múltiplo das águas e a garantia do acesso prioritário à água como direito, alimento e bem comum exige uma revisão democrática e emergencial da Política Nacional de Recursos Hídricos e do Plano Nacional de Segurança Hídrica.”

Outorgas x vazão

A mineração possui 28% do total de outorgas no país e responde por 1,1 bilhão de litros de água por hora, o equivalente a 65,7% de toda a vazão consumida pelo setor. As águas superficiais e de domínio dos estados brasileiros são objeto de saque deste setor, já que equivalem a 92% de toda vazão outorgada.

Segundo o levantamento, a quantidade de outorgas é menor em razão deste segmento apresentar número de operação inferior em virtude da elevada concentração da produção, do valor produzido, do custo e da escala de produção. Assim, a atividade demanda vazão que viabilize tamanha escala.

LEIA MAIS:

Mineração em terras indígenas da Amazônia cresceu 1.217% em 35 anos

Mineração em Mato Grosso pode gerar disputa hídrica com agronegócio

Pesquisa aponta para crise hídrica no Brasil e agro é setor mais impactado

Ativo econômico: defesa de direitos indígenas é bom negócio para MT

Atrelado a violência e contaminação, garimpo é ameaça ao agro em MT

Garimpo cresce e Mato Grosso é o segundo em áreas ocupadas