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Aquecimento global bate recorde e planeta pede socorro

Aquecimento global bate recorde e planeta pede socorroConcentração de dióxido de carbono atingiu o maior nível em 800 mil anos. Foto: Reprodução/Pixabay

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Por André Garcia

O ano de 2024 foi o mais quente dos últimos 175 anos e o primeiro a registrar temperatura média global superior a 1,5°C em relação ao período pré-industrial. O dado consta no relatório Estado do Clima Global 2024, publicado nesta quarta-feira, 19/3, pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), que alerta para impactos duradouros e, em muitos casos, irreversíveis das mudanças climáticas.

O secretário-geral da ONU,  António Guterres, enfatizou que “o planeta está emitindo sinais de socorro cada vez mais intensos”.

A temperatura média da superfície terrestre em 2024 foi de 1,55°C acima da média registrada entre 1850 e 1900, com margem de erro de ± 0,13°C. O documento também confirma que todos os anos entre 2015 e 2024 foram, individualmente, os dez mais quentes da história observacional.

Outro dado preocupante é que a concentração atmosférica de dióxido de carbono atingiu o maior nível dos últimos 800 mil anos. Em 2023, último dado consolidado, a concentração chegou a 420 partes por milhão (ppm), 151% acima dos níveis pré-industriais. Os níveis continuaram subindo em 2024, segundo dados em tempo real.

Além disso, os oceanos armazenam cerca de 90% da energia gerada pelo aquecimento global. Em 2024, o conteúdo de calor nos oceanos bateu recorde pelo oitavo ano consecutivo. O ritmo de aquecimento entre 2005 e 2024 foi mais que o dobro do registrado entre 1960 e 2005.

“Enquanto um único ano acima de 1,5°C de aquecimento não indica que a meta de longo prazo do Acordo de Paris está perdida, é um alerta de que estamos aumentando os riscos para nossas vidas, economias e para o planeta”, afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.

Guterres também afirmou que manter a temperatura global abaixo de1,5 °C “ainda é possível”. Para isso, é preciso que os “líderes intensifiquem seus esforços, aproveitando os benefícios das energias renováveis baratas e limpas para seus povos e economias, com novos planos climáticos nacionais previstos para este ano”.

Degelo e elevação do mar

De acordo com o relatório, os últimos três anos registraram a maior perda de massa glacial da história. Segundo a OMM, sete dos dez piores anos de perda glacial ocorreram desde 2016.

O derretimento das geleiras contribui para a elevação do nível do mar. Em 2024, o nível médio global dos oceanos foi o mais alto já registrado desde o início das medições por satélite, em 1993. A taxa de aumento anual dobrou, passando de 2,1 mm (1993–2002) para 4,7 mm (2015–2024).

“Em resposta, a OMM e a comunidade global estão intensificando esforços para fortalecer os sistemas de alerta precoce e os serviços climáticos. Estamos avançando, mas é preciso ir mais longe e mais rápido. Apenas metade dos países do mundo têm sistemas adequados de alerta. Isso precisa mudar”, alertou Saulo.

Impactos irreversíveis

O relatório da OMM destaca que os impactos do aquecimento global afetam profundamente os ecossistemas marinhos, a biodiversidade e a água do planeta. Além disso, os oceanos estão ficando mais ácidos, prejudicando recifes de coral, áreas de reprodução de peixes e atividades de aquicultura.

Segundo os especialistas da organização, mesmo com cortes nas emissões de gases de efeito estufa, o aquecimento dos oceanos e a acidificação continuarão por séculos ou milênios. As mudanças são consideradas irreversíveis em escalas temporais humanas.

 

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