Por André Garcia
As temperaturas altas constantes estão causando um aumento nas denúncias de trabalhadores que sofrem com o calor excessivo. Só em 2025, foram 431 registros no Ministério Público do Trabalho (MPT), o que representa quase 60% do total registrado em todo o ano de 2024 — o mais quente jpa registrado na história, de acordo com o observatório europeu Copernicus. Os setores mais críticos são aqueles que envolvem trabalhos a céu aberto, como a construção civil, o transporte por aplicativo e a agropecuária.
Ao Gigante 163, o MPT informou que a Região Centro-Oeste, que concentra a maior parte da produção agrícola do Brasil, responde por 2,6% das denúncias, somando os casos em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Os números acendem um alerta para o setor, já que a tendência é de que o aquecimento global continuem elevando as temperaturas nos próximos anos.
Para se ter ideia, o verão de 2024/2025, que terminou em março, entrou para a história como o sexto mais quente no Brasil desde 1961. De acordo com o Inmet, a temperatura ficou 0,34°C acima da média do período entre 1991 e 2020. Os dados também indicam que, desde a década de 1990, os verões brasileiros têm se tornado progressivamente mais quentes.
Segundo um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), regiões que não estavam habituadas ao calor extremo enfrentarão riscos maiores, enquanto os trabalhadores e as trabalhadoras em climas já quentes enfrentarão condições cada vez mais perigosas.
Para os trabalhadores do campo pode o ocorrer o que os médicos chamam de sobrecarga térmica, que é o aumento da temperatura dentro do corpo. Isto é, quando entra mais calor no corpo do que sai, ocorre um desequilíbrio térmico e a temperatura interna do corpo pode subir acima de 38° C. Quanto maior for essa temperatura, maior é o risco de surgir os sintomas do calor.
Adaptação ao calor extremo
Em 2024, a média das temperaturas ficou em 25,02°C — 0,79°C acima da média histórica de 1991 a 2020. Com isso, 111 cidades brasileiras enfrentaram mais de cinco meses de calor extremo, com termômetros que frequentemente ultrapassaram os 40°C. Além disso, todas as cidades do País tiveram ao menos um dia com temperaturas máximas consideradas extremas.
Considerando que a temperatura ideal para o funcionamento normal do corpo humano é de cerca de 37°C, o calor excessivo compromete funções físicas e cognitivas, aumentando os riscos para os trabalhadores. Essa realidade precisa ser incorporada à gestão das fazendas, tanto para garantir o bem-estar dos empregados quanto para evitar processos judiciais, custos médicos, indenizações e danos à reputação das propriedades.
“Os princípios da prevenção e da precaução devem orientar a atuação na defesa de ambientes de trabalho seguros e saudáveis. Sua aplicação eficaz exige o prévio reconhecimento dos perigos e a avaliação dos riscos, neles incluídos aqueles decorrentes das mudanças climáticas e que impactam trabalhadores e trabalhadoras”, explica a coordenadora nacional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho e da Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (Codemat) do MPT, Cirlene Luiza Zimmermann.
Medidas para proteger os trabalhadores
Segundo a OIT, pelo menos 2,4 bilhões de trabalhadores — cerca de 70% da força de trabalho mundial — estão expostos aos impactos diretos e indiretos do calor, principalmente aqueles que atuam ao ar livre, como os trabalhadores rurais. Além disso, a radiação solar contribui para mais de 18,9 mil mortes de profissionais todos os anos por câncer de pele.
“O MPT está atento e propõe a adoção de diversas medidas de adaptação para proteger as pessoas que trabalham, além de estimular ações de mitigação das mudanças climáticas por parte das empresas, por meio de alterações em seus processos produtivos, do constante diálogo socioambiental e da inclusão da perspectiva do trabalho nos planos de ação climática públicos e privados”, acrescenta Zimmermann.
Não à toa, neste ano, o tema da campanha Abril Verde 2025 do MPT é Futuro sustentável no trabalho e no clima. A iniciativa busca conscientizar a sociedade sobre a importância da prevenção de doenças e acidentes relacionados ao trabalho, abordando como as mudanças climáticas afetam os trabalhadores e a necessidade de adaptações na rotina para garantir a proteção desses profissionais.
Adaptação ao calor extremo
Os números refletem uma tendência global: em 2024, a média das temperaturas ficou em 25,02°C — 0,79°C acima da média histórica de 1991 a 2020. Com isso, 111 cidades brasileiras enfrentaram mais de cinco meses de calor extremo, com termômetros que frequentemente ultrapassaram os 40°C. Além disso, todas as cidades do país tiveram ao menos um dia com temperaturas máximas consideradas extremas.
Considerando que a temperatura ideal para o funcionamento normal do corpo humano é de cerca de 37°C, o calor excessivo compromete funções físicas e cognitivas, aumentando os riscos para os trabalhadores. Essa realidade precisa ser incorporada à gestão das fazendas, tanto para garantir o bem-estar dos empregados quanto para evitar processos judiciais, custos médicos, indenizações e danos à reputação das propriedades.
“Os princípios da prevenção e da precaução devem orientar a atuação na defesa de ambientes de trabalho seguros e saudáveis. Sua aplicação eficaz exige o prévio reconhecimento dos perigos e a avaliação dos riscos, neles incluídos aqueles decorrentes das mudanças climáticas e que impactam trabalhadores e trabalhadoras”, explica a coordenadora nacional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho e da Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (Codemat) do MPT, Cirlene Luiza Zimmermann.
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