HomeEcologia

Vegetação secundária na Amazônia: 71% tem potencial de restauração

Vegetação secundária na Amazônia: 71% tem potencial de restauraçãoPará, Amazonas e Mato Grosso são os que mais têm áreas para recuperar. Foto: Imazon

Brasil queimou 23% do seu terrítorio em 39 anos
Marina defende aumentar pena para quem provoca queimadas
Para ex-presidente da SRB, meta desmate zero devia ser para 2025

Cerca de 71% da vegetação secundária da Amazônia, ou seja, que já foram desmatadas, estão em áreas em que o solo e as condições climáticas não são ideais para a produção agrícola em larga escala. Isso significa que é possível recuperar a floresta em larga escala sem perder terras agricultáveis. É o que revela um estudo do projeto Amazônia 2030, intitulado A Vocação da Restauração Florestal na Amazônia com Base na Vegetação Secundária.

A recuperação gera benefícios para o clima, para o País e para os próprios agricultores. Isso porque eles podem aproveitar essas áreas para adequar suas propriedades às leis ambientais e, ainda, obter novas fontes de renda.

Em 2023, foram mapeados 5,7 milhões de hectares de vegetação secundária com pelo menos seis anos de idade no bioma. Desses, 4 milhões de hectares estão em áreas de baixo potencial agrícola, ou seja, não competem com o cultivo de grãos, representando uma grande oportunidade para a conservação e restauração.

A vegetação secundária é a forma mais barata de restauração florestal na Amazônia e no Brasil,  segundo especialista do Imazon Paulo Amaral.

A estratégia é essencial para enfrentar as mudanças do clima, removendo grandes quantidades de CO₂ da atmosfera, recuperando a biodiversidade e fortalecendo funções ecológicas, como a regulação climática e o controle da erosão.

Os estados que concentram as maiores áreas de vegetação secundária em terras de baixa aptidão agrícola são:

  • Pará (1,88 milhões de hectares)
  • Amazonas (612 mil hectares)
  • Mato Grosso (606 mil hectares)

Já as áreas de vegetação secundária em regiões de alto potencial agrícola estão mais presentes no Pará (676 mil hectares) e Mato Grosso (481 mil hectares).

Necessidade de Políticas Públicas

O estudo também destaca que a vegetação secundária em áreas de baixa aptidão agrícola está concentrada principalmente em imóveis privados do Sistema de Gestão Fundiária (29%), áreas públicas não destinadas (16%), áreas com Cadastro Ambiental Rural (15%) e assentamentos rurais (15%). Esses dados reforçam a necessidade de políticas públicas que protejam e incentivem a restauração dessas áreas.

Restauração florestal e desenvolvimento sustentável

A pesquisa indica que garantir a conservação dessas áreas exige um esforço coordenado entre políticas públicas, incentivos econômicos e estratégias de governança territorial. Entre as principais recomendações estão:

  • Criação de um sistema de monitoramento contínuo da vegetação secundária;
  • Priorizar a vegetação secundária em áreas que não competem com a produção agrícola na regularização ambiental;
  • Divulgação ampla dos benefícios econômicos e legais da restauração florestal;
  • Destinação de áreas públicas não destinadas para conservação e usos sustentáveis;
  • Implementação de incentivos para proprietários rurais que transformem terras agricultáveis em áreas florestais;
  • Fortalecimento das concessões florestais como estratégia para a recuperação de terras degradadas.

Com um total de 29,7 milhões de hectares de áreas desmatadas com baixa aptidão para a produção de grãos, há um enorme potencial para a restauração florestal na Amazônia, especialmente por meio da regeneração natural. Esse estudo reforça a necessidade de ações concretas para garantir que a vegetação secundária seja protegida e se torne um pilar da estratégia nacional de enfrentamento das mudanças climáticas e promoção do desenvolvimento sustentável.