Nos últimos cinco anos, o Pantanal sofreu muito com incêndios. Cerca de 5,9 milhões de hectares foram queimados, e um dado chama atenção: 33 fazendas foram responsáveis por quase 18% de toda essa área destruída. Juntas, essas propriedades somam 1 milhão de hectares queimados, com pelo menos três grandes focos de fogo registrados em cada uma.
Os números são do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que analisou o período entre 2020 e 2024 (Veja o levantamento aqui). Os incêndios nessas propriedades afetaram ainda outras 333 fazendas, ou seja, quase 18% do total de 1.857 imóveis rurais atingidos pelo fogo.
Em 2024, o levantamento mostrou que 33 propriedades já tinham histórico de queimadas repetidas. Dessas, 29 pegaram fogo em três anos diferentes, e quatro propriedades tiveram incêndios em quatro anos seguidos.
Quando um hectare queima, ele libera gases poluentes na atmosfera. No caso dessas fazendas, os 1 milhão de hectares incendiados lançaram pelo menos 50,75 milhões de toneladas de carbono. Para entender melhor, no mercado voluntário de carbono, o preço mínimo é de U$ 5,00 (R$ 28,80) por tonelada de CO2eq (dióxido de carbono). Assim, esse total dessas emissões equivaleria a R$ 5,35 bilhões.
Nesta semana (dias 2 e 3 de abril), durante o 1º Seminário Internacional de Manejo Integrado do Fogo no Pantanal, realizado na sede do MPMS em Campo Grande, o promotor Luciano Furtado Loubet afirmou que o MP busca a entender as causas dos incêndios.
“[Estamos] dando prioridade máxima ao trabalho preventivo para entender por que isso está acontecendo. Chamamos os proprietários para orientá-los sobre o manejo adequado do fogo”, afirmou.
Segundo Loubet, muitos incêndios começam perto de rios e estradas, sem indícios de que tenham sido provocados pelos donos das terras.
Programa Pantanal em Alerta busca prevenir queimadas
Para combater os incêndios no Pantanal, o MPMS atua em duas frentes: prevenção e fiscalização. O programa Pantanal em Alerta tem identificado propriedades prioritárias e investigado as origens do fogo para reduzir os impactos ambientais.
As ações seguem voltadas para minimizar os danos causados pelas queimadas, garantindo que proprietários rurais adotem medidas de prevenção e manejo adequado do fogo, ajudando a preservar o bioma pantaneiro.