O Pantanal deve enfrentar em 2025 mais um período crítico de seca. As chuvas do último verão, encerrado em 20 de março, não foram suficientes para restaurar a umidade do solo na região. O alerta foi dado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB).
“Estamos alertando dessa possibilidade de mais um ano de estiagem severa no Pantanal para que os usuários de água comecem previamente a tomarem decisões e iniciativas para o enfrentamento do período seco, baseado nas experiências dos anos anteriores”, explica a diretora de Hidrologia e Gestão Territorial do SGB, Alice Castilho
Dados do Inmet mostram que, entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, choveu muito menos do que o esperado na porção norte do Pantanal, em Mato Grosso. Nesses três meses, foram 200 milímetros a menos do que a média, que costuma ser entre 500 e 700 milímetros.
Em janeiro, a chuva ficou 75 milímetros abaixo do normal. E essa falta de chuva continuou até fevereiro.
O SGB informa também que a Bacia do Rio Paraguai (essencial para a existência do Pantanal) registrou chuvas abaixo da média ao longo de toda a estação chuvosa. Em boletim publicado na última semana de março, a bacia do Rio registrou apenas 25 mm de chuva, uma quantidade muito abaixo do necessário para amenizar a seca.
Marcus Suassuna, pesquisador do SGB, ressalta que “é provável que, por volta do mês de julho, o nível do rio Paraguai já chegue na cota em Ladário (MS), ou seja, próximo do valor de 1,5m. A partir dessa cota já começam a haver problemas e restrições para navegação”.
Neste cenário mais grave, o nível do rio pode atingir cotas negativas em setembro e se aproximar dos níveis mais críticos observados em 2020, impactando diretamente na reposição das águas subterrâneas (lençol freático).
Impactos produtivos
Toda essa seca já está causando grandes problemas nas plantações de soja em Mato Grosso do Sul, afetando quase metade das áreas cultivadas e resultando em perdas de 2 milhões de hectares. Os dados do projeto SIGA-MS, da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja/MS), também alertam para a situação da segunda safra de milho, que está sendo prejudicada pela falta de chuvas.
Com a tendência da situação se agravar com a chegada do segundo semestre, período característico de estiagem, o solo deverá ficar ainda mais seco, aumentando o risco de queimadas no Pantanal e em grande parte do Brasil Central.
Para enfrentar esse problema, o Governo de Mato Grosso anunciou um investimento de R$ 78 milhões para ações de combate ao fogo, parte de um pacote maior de R$ 125,2 milhões voltado à preservação ambiental. Além disso, o Corpo de Bombeiros Militar (CBM) reforçou o Plano de Operações da Temporada de Incêndios Florestais (POTIF) para 2025.
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